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Origem do Trasgo

Os goblins foram descritos de muitas maneiras durante a idade média. A adaptação posterior à literatura fantástica também introduziu novas variantes ao imaginário humano. Tanto que às vezes são vistos como diabretes ou gnomos.

Dependendo da região da Europa, novas representações de goblins foram aparecendo, algumas sendo mais proeminentes na literatura e outras no folclore. Os Trasgos portugueses estiveram presentes no norte do país, especialmente em Trás-os-Montes e no Douro.
Eles são parentes próximos dos Trasnos Galegos, dos Trasgus Asturianos e Cantábricos, dos Duendes Castellanos e dos Follets and Donyets da Catalunha.

Famosas tribos de goblins na Península Ibérica

Sua história, baseada na mitologia celta, foi provavelmente trazida para a Península Ibérica pelos romanos. Portugal também é o lar de outras duas subtribos de Goblins: os Zanganitos e os Diabinho da Mão Furada. A palavra Zanganito lembra “zangadito”, o que é uma referência ao temperamento dos goblins. As histórias desta tribo pertencem ao sul do país. O Diabinho da Mão Furada foi retratado como um pouco mais amigável do que os Zanganitos e Trasgos, e sua tradição sofreu mais com a demonização do folclore pagão pela igreja católica. Tardo é também uma zoomórfica criatura mitológica portuguesa que está muitas vezes associada aos Trasgos pela sua malícia e estatura semelhante.

Provavelmente também influenciado pela religião, os trasgos são considerados almas perdidas de crianças não batizadas, que voltaram para atazanar os humanos. Em Vimioso existe uma lenda em torno das ruínas do que hoje se chama “Moinho de Trasgos”. Segundo a história, uma noite, o moleiro encontrou um trasgo a usar o seu fogo para cozinhar alguns lagartos em um espeto. Um choque adicional ele teve quando o homem viu o trasgo a tentar fazer a gordura pingar em seu pão.

Aparência e comportamento do Trasgo

Constantino Cabal diz que o trasgo é pequeno e usa roupa e chapéu vermelhos. Ter buracos nas mãos ou uma cauda são deformações posteriores implementadas pelo Cristianismo. Outros também adicionam pernas longas, pele escura, orelhas pontudas e dentes afiados como características físicas. Todas as referências retratam essas criaturas como humanóides.

Trasgos escolhem uma família e tornan-se excessivamente apegados. Eles são aparentemente inofensivos para os humanos, mas altamente preversos. De mau humor, os trasgos vão quebrar a tua loiça e atirar pedras nas janelas. Estas criaturas com poderes sobrenaturais preferem atuar durante a noite. Eles tendem a ter como alvo as mulheres enquanto dormem, provocando pesadelos. Essa particularidade também reforça sua ligação com os já mencionados Tardos.

Nem todas as famílias com um trasgo em casa vão saber que estão a morar com a pequena criatura. Tal coisa justificaria ruídos estranhos sem explicação durante a noite. As famílias que notam o seu trasgo provavelmente vão querer se livrar dele. Não apenas por causa da evasão e mau humor ocasional, mas também porque se sente demasiado em casa. Outros contos mostram uma história de relativa cooperação. Trasgos confiam em suas habilidades e nunca rejeitam um desafio.

E é assim que vocês se livram de um. Digam-lhe para contar grãos de açúcar, trazer toda a água do mar ou qualquer tarefa super difícil ou impossível. Envergonhados por não o cumprirem, o trasgo vai abandonar a família.

Conclusões

Basicamente, os trasgos são goblins domésticos. Se vocês leram ou assistiram Harry Potter, provavelmente lembraram do Dobby, o elfo doméstico. O contexto dos Trasgos está intimamente conectado com as outras tribos de goblins em Portugal e no norte da Espanha. O Trasgo português vai ainda influenciar o Saci brasileiro.

Para mais informações sobre o seu folclore vocês podem sempre conferir o trabalho de Paulo César Ribeiro Filho ou Constantino Cabal, de onde tiramos algumas informações para este artigo. O primeiro é em português, o segundo em espanhol.

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